terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mitos sobre a Criação: O Limbo

"Dizem, as vozes que ousam falar, que durante as Eras em que a Noite não foi vista, os mundos permaneceram estagnados. O Universo não se movia, pois Cosmo assim havia determinado. Muitos mundos tornaram-se ocultos, relegados às sombras escuras da incerteza. Ousam dizer algumas vozes dissonantes, que a Existência parou.

A Noite, como uma tecelã, uma pintora, uma poeta, colheu as névoas oníricas do Sonho, as nuvens encantadas da Fantasia, as brumas místicas da Magia e a neblina mórbida da Morte. Uniu, de uma forma que só a Mãe da Magia seria capaz, todos esses elementos às sombras negras de sua própria essência e aos restos não usados da matéria prima da qual o Caos e o Cosmo usaram para efetuar a Criação. Teceu teias invisíveis por todo Universo, caminhos fantasmagóricos para interligar sem ligar todos os mundos.

Estes caminhos, a Noite fechou para qualquer filho ou filha do Cosmo que estivesse inteiramente comprometido com a obra de seu pai. Ao memso tempo abriu para todos os que filhos e filhas de seu irmão, que estivessem mais próximos de não resistir aos encantos da Noite e da herança que lhe foi deixada pelo Caos.

Engenhosa, Noite foi mais além. Permitiu aos Mortais, as criaturas mais queridas pelo Cosmo - pois via nelas sua própria imagem refletida na semelhança que havia entre esta pequena obra e a sua grande obra-, encontrar estes caminhos invisíveis e ter assim contato com seu filhos e filhas noturnos. Assim, a chamada Humanidade teve contato com as crias da Noite e com elas aprenderam os segredos e as capacidades que o Cosmo lhes havia negado.

Estes caminhos Ela abriu aos sonhadores, aos que devaneiam, aos loucos, aos desesperados, aos artistas, às crianças, aos morimbundos, aos sábios, aos autistas, aos místicos, aos iludidos, aos velhos, aos dementes, aos gênios, aos desiludidos, aos perdidos, aos que morreram de morte abrupta ou sofrida, aos suicidas... a todo aquele que morre e não percebe... a todo aquele que se recusa a morrer... a todo aquele que se recusa a nascer...

Dizem vozes ressoantes, sons misteriosos que vagam sem rumo, que durante as Eras em que esteve ausente da corte do Cosmo, a Noite teceu sua última obra: o Limbo."

Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mito sobre a Criação: os Mundos

"Cosmo e sua corte, ordenaram a Criação. Cada um dos filhos e filhas de Cosmo cuidou de uma parte do todo. Uns ficaram responsáveis por construir de acordo com a vontade da Ordem. Outros puseram-se a dar forma ao que o Caos havia gerado. A cada movimento ordenado dos filhos e filhas de Cosmo, a Existência ocupava seu lugar na Criação como soberana.

Noite, a irmã herdeira da condição do Caos, seguiu de perto cada passo de Cosmo e seus filhos, como uma consultora sombria, sinistra e perversa. A cada movimento de Cosmo, Noite sugeria um anti-movimento, tão perfeito e harmonioso, que parecia completar os planos de seu irmão. Desta forma, a irmã sombria garantiu a coesistência velada dos filhos e filhas do Caos entre os filhos do Cosmo.

No ato máximo de sua Criação, Cosmo criou o Mundo dos Vivos, onde a Vida podia correr livre. Espaço cuidou de fazer com que este mundo ficasse a gosto de sua irmã. Dividiu-o entre Céu, Terra e Mar, e com carinho entregou-o à Vida. Agradecida, esta gerou os seres para que habitassem cada parte do mundo que lhe foi dado. Conjuntamente, Espaço e Vida trouxeram Natureza, para que esta governasse sobre o mundo criado, assistida pela Lei, Harmonia e Equilíbrio.

Noite, querendo participar deste feito, convenceu a todos que a Ordem só existiria se mantidos os limites impostos por Cosmo desde que passou a ordenar a Criação. Apresentou para Natureza a Decadência, que entre as Idades tornou-se a Velhice. Ao Ciclo lembrou que em si encontrava-se Fim. Para a Vida, que em liberdade corria, apresentou o Cansaço, e com a desculpa de se redimir, apresentou o Descanço e seus irmãos Sono e Morte.

Um detalhe fugiu aos planos de Cosmo, sendo a Morte negativa de sua filha Vida, sua presença no Mundo dos Vivos era inoportuna. Tentando manter a Ordem, Cosmo ordenou que se criasse o Mundo dos Mortos, para o qual a Morte guiaria os que segurassem suas mãos. E lá, como uma sombra, existiriam como um arremedo de Vida.

Prosseguindo com seu plano, Noite interviu, garantindo que o gêmeo da Morte, seu filho Sono, tivesse também um mundo no qual pudesse levar os que segurassem suas mãos, tal qual sua irmã. Neste, porém, Noite quis ditar as regras - ou a falta delas. Colocou-o entre seus domínios mais visíveis, e em seu governo pôs Sonho, um dos seus filhos, para que esse permitisse o arremedo de Vida que o Cosmo exigiria. Escondido entre os cantos sombrios do Mundo dos Sonhos, deixou Pesadelo, para que esse atormentasse os filhos de Cosmo. Mas para fazer a alegria dos seus próprios filhos e filhas, deixou que Fantasia corresse livre por aquele mundo. E tantos outros, lá se refugiam ou brincam.

Cosmo se viu preso em sua própria Criação, pois o Universo projetado para ser seu domínio, estava cercado pelas criações de sua irmã Noite. Tomou as rédeas da situação, e voltou a agir dentro de suas pretenções. Incumbiu a Lei de vigiar de perto o que era feito nos mundos e Coesão de garantir que Equilíbrio e Harmonia pudessem caminhar em todos eles. Limitou o Espaço a visitar pouco qualquer outro mundo que não fosse o de sua irmã Vida. Este por sua vez fez crescer e diversificar-se de tal forma que Existência pudesse ser encontrada vagando por caminhos longínquos. Sem conversar com sua irmã Noite, fechou as portas que haviam entre um mundo e outro. As chaves entregou para os donos destes, e mais ninguém poderia usá-las. Relegou aos domínios de suas irmã, os mundos que Ela havia criado em seus planos ditos sórdidos. Como sombras, estes mundo passaram a existir, e o Mundo dos Vivos voltou a ocupar sua posição como o mundo primeiro, "o Mundo entre todos os mundos". Para manter seu controle, Cosmo limitou as posibilidades no mundo de sua filha Vida, e consequentemente os outros que não pertenciam aos seus. Cosmo finalizou sua própria Criação, e outros mundos não puderam ser criados.

Noite não se abalou, limitou-se a chamar seus filhos e filhas e partir da corte de seu irmão. Porém, antes de se despedir, levou Infito para cuidar de seu filho Sonho e Eternidade para olhar por sua filha Morte. Como um mimo para sua sobrinha Vida, deixou de presente para Natureza e os seres que Ela governava, a companhia de sua filha Magia.

E foi assim que Cosmo e Noite, acessorados por Equilíbrio, Harmonia e Discórdia, criaram os mundos."

Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.

Mito sobre a Criação: Do Caos à Ordem

"Tendo nascido por último, quis o Cosmo ser o primeiro. Como negativa de um pai-mãe auto-existente, quis agir como este, o pôs-se a gerar à sua imagem e semelhança. E do Cosmo surgiu, como manifestação de sua própria condição em oposição às crias do Caos, a Casa da Ordem. O Cosmo abriu caminho para o Tempo, o Espaço, o Ciclo, as Idades, a Lei, o Equilíbrio, a Harmonia, a Coesão - também chamado Amor, o Finito, a Vida, e tantos outros e outras cujos nomes encheriam listas quase intermináveis. De uma maneira sem igual, o Cosmo pôs-se a gerar e gerar, a moldar e moldar, e dar forma e ordem à disforme obra caótica de seu pai-mãe. Assim, erguendo-se como sucessor nato do Caos, ergueu-se o Cosmo, a Ordem, para reinar sobre a Criação. À sua obra chamou Universo.

Existência encheu-se de si, e assentou-se ao lado de seu irmão, pois em sua obra pode ver mais belo que nunca seu próprio reflexo. Como um irmão amável, Cosmo dedicou sua obra a sua irmã mais velha.

As filhas e filhos da essência do Caos, opuseram-se às pretenções de seu irmão mais moço, cobrando-lhe respeito aos que lhe eram iguais. Cosmo, certo de sua pretenções, não deu ouvidos aos do Caos, e como soberano nomeou os seus sua própria corte. O Tempo, o Ciclo e as Idades, puseram-se em oposiçao à Eternidade. O Finito e o Espaço, ao Infinito. A Lei tornou-se responsável pela Criação do Cosmo, para que Coesão, Harmonia e Equilíbrio pudessem exercer sua função. Foi assim que o Cosmo tomou conta da Criação, opondo os seus aos do Caos, numa batalha sem luta, da qual a Ordem saiu vitoriosa.

A Casa do Caos perdeu suas força e sem querer lutar deixou-se vagar como sombra pela Criação.

De sombras entendia a Noite, que permitiu ao seu irmão opor-se a Ela, fazendo entre os seus negativas Dela. Assim sutgiu a Luz e o Dia. Mas a Noite é traiçoeira, pois da sua natureza pouco deixa saber. Para manter o legado de seu pai-mãe, cuja condição deu origem à própria Escuridão, a Noite pôs-se a gerar. Deu de presente às Idades, a Decadência, que às vezes também brincava com o Ciclo. Ao Espaço, entregou o Vazio. Num só golpe deixou perdidas a Harmonia, a Coesão e o Equilíbrio, quando lhes apresentou a Discórdia. A Lei deixou perplexa com o Acaso, ao qual apelidou de Excessão. E como a concluir uma obra magnífica, ela gerou a Magia, para subverter os princípios do Cosmo.

Foi assim que nasceu a Morte e tantos outros que se dizem filhos e filhas da Noite. A esta corte deu-se o nome de Casa da Noite.

Irado, Cosmo não pode fazer nada, pois tanto quanto foi zombeteira, foi certeira sua irmã. A cada um dos seu gerados, a Noite contribui com seu toque sombrio, para que o Cosmo não pudesse reagir sem que o Universo perdesse a essência de seu Criador, negando-lhe sua condição.

Da Casa do Caos nasceu a Ordem, chamada Cosmo, e este reinou sobre toda a Criação junto de sua própria Casa. Os que partilham da essência do Caos seguem errantes, por este Universo criado. A manter uma herança quase perdida, esta a Noite e suas crias.

Estas são as palavras ditas sobre a Criação do Universo."

Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.

sábado, 27 de outubro de 2007

Mitos sobre a Criação: a Origem

"No início havia o Nada. Há quem pense que o Nada é o mesmo que o Vazio, que é a ausência de algo que preencha o Espaço, assim como o frio é ausência de calor ou o silêncio é a ausência do som ou a sombra é a ausência da luz... Há quem diga que Ele era um Senhor, outros que era uma Senhora, portanto devendo ser chamada Inexistência... Os que gostam de apaziguar os ânimos, dizem que no começo haviam ambos, como forças gêmeas, Nada e Inexistência. Talvez mais certos estejam os que dizem que no começo não havia nenhum dos dois, pois se eles existissem da forma que pensamos que existiram, estariamos errados, pois negariam sua própria natureza. Como pode a Inexistência existir, se ela é essa negativa? O Nada, sendo como acreditamos que fosse, seria algo e deixaria de ser Ele mesmo.

No princípio havia o Nada, e ao seu lado reinava a Inexistência.

Mais certos estão os que dizem que no princípio havia o Caos, e quando fala-se Dele, todos são unanimes: Ele foi o Primeiro.

O Caos engedrou de si tudo o que há. Nasceu assim a Existência, o Infinito, a Eternidade, e da sua própria condição, o Caos gerou a Noite, também chamada Escuridão. Esses são os nomes que ouso dizer. O Caos reinou sobre si, tendo suas filhas e filhos como corte. Em sua essência, o Caos era o criar, e não satisfeito, continuou a gerar e de si nasceu o Cosmo, também chamado Ordem. Como num gesto impensado, um auto sacrifício inusitado, o Caos fez de sua última cria sua negativa. Num ato desvairado, O Caos retornou ao seio da Inexistência, onde somente o Nada se deita."


Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O Andarilho

Apesar de caminhar no Vale Sombrio da Morte
O canto suave de ninar,
Ainda o ouço soar
Entre as sombras densas
Bruma negra
Que impedem meu caminhar

Mesmo seguindo calado
Num silencio só meu
Ainda posso gritar
Um grito silencioso
E ver como miragem
A Luz eterna de teu sorriso
Por de trás das lágrimas ofuscantes

Ainda que eu beba da Fonte do Esquecimento
Ei de lembrar de minha morada
Onde só havia àgua
E o som de teu coração
Lembrar dos teus braços apertados
Dos teus beijos a mim dados
Por um amor sem igual

Apesar de seguir pelo Vale Sombrio da Morte
E cair de joelhos
Ante aquele que se chama Desespero
Me afogar nas lagrimas duras que saem de meu peito
De errar como ser que erra
Falha e segue sem rumo
Ei de me lembrar do teu calor

Apesar de caminhar pelo Vale Sombrio da Morte
Não sigo desprovido, sozinho...

Origem Real


Ola, falso pequeno príncipe
Que olha para o mundo
Como se não fosse velho
Quase morto...
Morte... será que é ela a tua mãe?

Imagens
Inverdades
Inspiração...
Será teu pai o Sonho
ou será tua mãe a Ilusão?
Pode até ser a Fantasia...

De um lado
Pro outro
Do outro
Pra um lado
Em zigue-zague...
De qual das duas irmãs
Será o ventre de tua origem:
da Insânia (Insanidade)
ou será da Loucura mesmo?

Enquanto isso
Teu pequeno tio Devaneio
Brinca perdido em pensamentos próprios...

Delírio,
te olha com carinho...
Ou será paternidade?
Ou será que quem te olha assim é o Desespero?
Não importa!
Todos são tua família mesmo...

Ah, falso pequeno Príncipe das Terras de Arsória
Deixe Esquecimento cuidar de ti...

A Sessão


Ao que interessa?
Então vamos:
Entrego-me ao Delírio profano das palavras escritas
Embriago-me com melodias
Letras cantadas que me levam a...

A Raiva? Se a sinto?
E quem não sente?
Ela está sempre por perto!

A Vida? O que acho dela?
Penso eu que é uma criatura maligna,
Sádica e cruel
Por que?
Já viu a Vida chorar com alguém?
De nós, ela só ri,
Gargalha como se fosse a própria Loucura!

A Insanidade?
Um dia já foi minha amiga.
Agora? Acho que nem ela me quer mais ao seu lado...
E quem iria querer?

Sonho? Esperança? Fé?
HA! HA! HA!
Já vieram brincar comigo uma ou outra vez...
Amigos? A Amizade me virou as costas.
Não que ela não goste de mim,
Pobre, não deu conta de conviver comigo.
Essa é a sina de se ser insuportável!

Com quem posso contar?
A Ilusão sempre vem brincar comigo.
A Tristeza é parceira certa.
O Desespero sempre ouve quando chamo por alguém.
E a Dor sempre me atende.

Fora elas e ele?
Não bastam?
Você acha que eu preciso de mais alguém?
A Amizade? Já disse não consegue conviver comigo!
O Amor? Poupe-me de falar sobre ele.
Por que?
Por que esse moço que tanto gosto sempre me deixa junto do Sofrimento!

Sim? Ah, o Tempo, ele acabou?
Ah, sim, tudo bem,
Podemos continuar na próxima sessão.
Até ela então.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Arsória

Um arsenal
De influências multiplas em unicidade
Armas tantas, que uma guerra se torna pouca
Tambores
Teclados
Pincéis
Tintas todas imagináveis
Um veneno mortal
Para uma alma livre sonhadora

Sussurrando
O silêncio soa sobre a serena sabedoria
Na loucura luminosa, lúgubre e letal
Ladainha
Letargia
Sonho...
... chega de tanto "S" e "L"
Onde estava mesmo?
Ah, arsenal! Armas tantas!

Artes
Artistas
Arteiros
Artur e sua corte de cavaleiros
Arsênico
Arsenal
Arsória...
...que palavra é essa?
Não importa!

Cores tantas
Sons também
Tantas formas
E material a se moldar
Tanto corpo
E idéia
Que a caneta marca

Arte
Arsênico
Artur e sua corte de cavaleiros
Arsória!

Entre-Mundos

Aqui
Ali
Há voltas e contornos sem explicação.
A Existência vazia
Ou muito bem preenchida...
Os restos infrutíferos de um Universo em Criação,
A massa não usada das brumas mágicas
Ou das névoas oníricas...
Nem Sonho
Nem Fantasia
Nem Vida
Nem Morte
Nem outro Mundo qualquer que possa ser nomeado.
Talvez as terras da Noite
Mãe sombria de tantas estranhas criaturas...
Na dúvida, um Nada
Ou o que se encontra entre mundos infindáveis...

Bem Vindos,
A esta que é minha casa!