"Tendo nascido por último, quis o Cosmo ser o primeiro. Como negativa de um pai-mãe auto-existente, quis agir como este, o pôs-se a gerar à sua imagem e semelhança. E do Cosmo surgiu, como manifestação de sua própria condição em oposição às crias do Caos, a Casa da Ordem. O Cosmo abriu caminho para o Tempo, o Espaço, o Ciclo, as Idades, a Lei, o Equilíbrio, a Harmonia, a Coesão - também chamado Amor, o Finito, a Vida, e tantos outros e outras cujos nomes encheriam listas quase intermináveis. De uma maneira sem igual, o Cosmo pôs-se a gerar e gerar, a moldar e moldar, e dar forma e ordem à disforme obra caótica de seu pai-mãe. Assim, erguendo-se como sucessor nato do Caos, ergueu-se o Cosmo, a Ordem, para reinar sobre a Criação. À sua obra chamou Universo.
Existência encheu-se de si, e assentou-se ao lado de seu irmão, pois em sua obra pode ver mais belo que nunca seu próprio reflexo. Como um irmão amável, Cosmo dedicou sua obra a sua irmã mais velha.
As filhas e filhos da essência do Caos, opuseram-se às pretenções de seu irmão mais moço, cobrando-lhe respeito aos que lhe eram iguais. Cosmo, certo de sua pretenções, não deu ouvidos aos do Caos, e como soberano nomeou os seus sua própria corte. O Tempo, o Ciclo e as Idades, puseram-se em oposiçao à Eternidade. O Finito e o Espaço, ao Infinito. A Lei tornou-se responsável pela Criação do Cosmo, para que Coesão, Harmonia e Equilíbrio pudessem exercer sua função. Foi assim que o Cosmo tomou conta da Criação, opondo os seus aos do Caos, numa batalha sem luta, da qual a Ordem saiu vitoriosa.
A Casa do Caos perdeu suas força e sem querer lutar deixou-se vagar como sombra pela Criação.
De sombras entendia a Noite, que permitiu ao seu irmão opor-se a Ela, fazendo entre os seus negativas Dela. Assim sutgiu a Luz e o Dia. Mas a Noite é traiçoeira, pois da sua natureza pouco deixa saber. Para manter o legado de seu pai-mãe, cuja condição deu origem à própria Escuridão, a Noite pôs-se a gerar. Deu de presente às Idades, a Decadência, que às vezes também brincava com o Ciclo. Ao Espaço, entregou o Vazio. Num só golpe deixou perdidas a Harmonia, a Coesão e o Equilíbrio, quando lhes apresentou a Discórdia. A Lei deixou perplexa com o Acaso, ao qual apelidou de Excessão. E como a concluir uma obra magnífica, ela gerou a Magia, para subverter os princípios do Cosmo.
Foi assim que nasceu a Morte e tantos outros que se dizem filhos e filhas da Noite. A esta corte deu-se o nome de Casa da Noite.
Irado, Cosmo não pode fazer nada, pois tanto quanto foi zombeteira, foi certeira sua irmã. A cada um dos seu gerados, a Noite contribui com seu toque sombrio, para que o Cosmo não pudesse reagir sem que o Universo perdesse a essência de seu Criador, negando-lhe sua condição.
Da Casa do Caos nasceu a Ordem, chamada Cosmo, e este reinou sobre toda a Criação junto de sua própria Casa. Os que partilham da essência do Caos seguem errantes, por este Universo criado. A manter uma herança quase perdida, esta a Noite e suas crias.
Estas são as palavras ditas sobre a Criação do Universo."
Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
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