segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mito sobre a Criação: os Mundos

"Cosmo e sua corte, ordenaram a Criação. Cada um dos filhos e filhas de Cosmo cuidou de uma parte do todo. Uns ficaram responsáveis por construir de acordo com a vontade da Ordem. Outros puseram-se a dar forma ao que o Caos havia gerado. A cada movimento ordenado dos filhos e filhas de Cosmo, a Existência ocupava seu lugar na Criação como soberana.

Noite, a irmã herdeira da condição do Caos, seguiu de perto cada passo de Cosmo e seus filhos, como uma consultora sombria, sinistra e perversa. A cada movimento de Cosmo, Noite sugeria um anti-movimento, tão perfeito e harmonioso, que parecia completar os planos de seu irmão. Desta forma, a irmã sombria garantiu a coesistência velada dos filhos e filhas do Caos entre os filhos do Cosmo.

No ato máximo de sua Criação, Cosmo criou o Mundo dos Vivos, onde a Vida podia correr livre. Espaço cuidou de fazer com que este mundo ficasse a gosto de sua irmã. Dividiu-o entre Céu, Terra e Mar, e com carinho entregou-o à Vida. Agradecida, esta gerou os seres para que habitassem cada parte do mundo que lhe foi dado. Conjuntamente, Espaço e Vida trouxeram Natureza, para que esta governasse sobre o mundo criado, assistida pela Lei, Harmonia e Equilíbrio.

Noite, querendo participar deste feito, convenceu a todos que a Ordem só existiria se mantidos os limites impostos por Cosmo desde que passou a ordenar a Criação. Apresentou para Natureza a Decadência, que entre as Idades tornou-se a Velhice. Ao Ciclo lembrou que em si encontrava-se Fim. Para a Vida, que em liberdade corria, apresentou o Cansaço, e com a desculpa de se redimir, apresentou o Descanço e seus irmãos Sono e Morte.

Um detalhe fugiu aos planos de Cosmo, sendo a Morte negativa de sua filha Vida, sua presença no Mundo dos Vivos era inoportuna. Tentando manter a Ordem, Cosmo ordenou que se criasse o Mundo dos Mortos, para o qual a Morte guiaria os que segurassem suas mãos. E lá, como uma sombra, existiriam como um arremedo de Vida.

Prosseguindo com seu plano, Noite interviu, garantindo que o gêmeo da Morte, seu filho Sono, tivesse também um mundo no qual pudesse levar os que segurassem suas mãos, tal qual sua irmã. Neste, porém, Noite quis ditar as regras - ou a falta delas. Colocou-o entre seus domínios mais visíveis, e em seu governo pôs Sonho, um dos seus filhos, para que esse permitisse o arremedo de Vida que o Cosmo exigiria. Escondido entre os cantos sombrios do Mundo dos Sonhos, deixou Pesadelo, para que esse atormentasse os filhos de Cosmo. Mas para fazer a alegria dos seus próprios filhos e filhas, deixou que Fantasia corresse livre por aquele mundo. E tantos outros, lá se refugiam ou brincam.

Cosmo se viu preso em sua própria Criação, pois o Universo projetado para ser seu domínio, estava cercado pelas criações de sua irmã Noite. Tomou as rédeas da situação, e voltou a agir dentro de suas pretenções. Incumbiu a Lei de vigiar de perto o que era feito nos mundos e Coesão de garantir que Equilíbrio e Harmonia pudessem caminhar em todos eles. Limitou o Espaço a visitar pouco qualquer outro mundo que não fosse o de sua irmã Vida. Este por sua vez fez crescer e diversificar-se de tal forma que Existência pudesse ser encontrada vagando por caminhos longínquos. Sem conversar com sua irmã Noite, fechou as portas que haviam entre um mundo e outro. As chaves entregou para os donos destes, e mais ninguém poderia usá-las. Relegou aos domínios de suas irmã, os mundos que Ela havia criado em seus planos ditos sórdidos. Como sombras, estes mundo passaram a existir, e o Mundo dos Vivos voltou a ocupar sua posição como o mundo primeiro, "o Mundo entre todos os mundos". Para manter seu controle, Cosmo limitou as posibilidades no mundo de sua filha Vida, e consequentemente os outros que não pertenciam aos seus. Cosmo finalizou sua própria Criação, e outros mundos não puderam ser criados.

Noite não se abalou, limitou-se a chamar seus filhos e filhas e partir da corte de seu irmão. Porém, antes de se despedir, levou Infito para cuidar de seu filho Sonho e Eternidade para olhar por sua filha Morte. Como um mimo para sua sobrinha Vida, deixou de presente para Natureza e os seres que Ela governava, a companhia de sua filha Magia.

E foi assim que Cosmo e Noite, acessorados por Equilíbrio, Harmonia e Discórdia, criaram os mundos."

Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.

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