"Dizem, as vozes que ousam falar, que durante as Eras em que a Noite não foi vista, os mundos permaneceram estagnados. O Universo não se movia, pois Cosmo assim havia determinado. Muitos mundos tornaram-se ocultos, relegados às sombras escuras da incerteza. Ousam dizer algumas vozes dissonantes, que a Existência parou.
A Noite, como uma tecelã, uma pintora, uma poeta, colheu as névoas oníricas do Sonho, as nuvens encantadas da Fantasia, as brumas místicas da Magia e a neblina mórbida da Morte. Uniu, de uma forma que só a Mãe da Magia seria capaz, todos esses elementos às sombras negras de sua própria essência e aos restos não usados da matéria prima da qual o Caos e o Cosmo usaram para efetuar a Criação. Teceu teias invisíveis por todo Universo, caminhos fantasmagóricos para interligar sem ligar todos os mundos.
Estes caminhos, a Noite fechou para qualquer filho ou filha do Cosmo que estivesse inteiramente comprometido com a obra de seu pai. Ao memso tempo abriu para todos os que filhos e filhas de seu irmão, que estivessem mais próximos de não resistir aos encantos da Noite e da herança que lhe foi deixada pelo Caos.
Engenhosa, Noite foi mais além. Permitiu aos Mortais, as criaturas mais queridas pelo Cosmo - pois via nelas sua própria imagem refletida na semelhança que havia entre esta pequena obra e a sua grande obra-, encontrar estes caminhos invisíveis e ter assim contato com seu filhos e filhas noturnos. Assim, a chamada Humanidade teve contato com as crias da Noite e com elas aprenderam os segredos e as capacidades que o Cosmo lhes havia negado.
Estes caminhos Ela abriu aos sonhadores, aos que devaneiam, aos loucos, aos desesperados, aos artistas, às crianças, aos morimbundos, aos sábios, aos autistas, aos místicos, aos iludidos, aos velhos, aos dementes, aos gênios, aos desiludidos, aos perdidos, aos que morreram de morte abrupta ou sofrida, aos suicidas... a todo aquele que morre e não percebe... a todo aquele que se recusa a morrer... a todo aquele que se recusa a nascer...
Dizem vozes ressoantes, sons misteriosos que vagam sem rumo, que durante as Eras em que esteve ausente da corte do Cosmo, a Noite teceu sua última obra: o Limbo."
Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
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