"A Criação foi gerada da essência pura do Cosmo, filho único da Inexistência e do Nada, o Primeiro.
O Universo foi criado da pura essência do Cosmo, filho último do Caos e sua negativa.
No Universo está escondida a essência da Noite, filha da condição do Caos e sua herdeira.
Estas são verdades - mesmo que a Verdade afirme ser relativa - que ninguém ousa contestar.
Tudo que há foi criado da pura essência do Caos, sua própria natureza.
O Caos gerou de si filhos e filhas, criados de sua essência, sua natureza, a matéria-prima de um artista. O Cosmo gerou de si filhos e filhas, criados de sua essência, sua natureza, a matéria-prima da qual fora feito. Desta mesma matéria-prima geraram as crias do Caos suas próprias crias. Desta mesma matéria-prima, foi feita a Criação.
Toda obra deixa vestígios, restos não usados pelo artesão. Estes retos, esta matéria-prima não usada, a própria essência do Caos, pela Noite foi herdada. Com essa essência, fez a Noite a obra que chamou Limbo, os caminhos que não são caminhos. E foi a este monte de entulho, de resto, de matéria-prima não usada, que a Noite se dirigiu quando abandonou a corte do seu irmão Cosmo.
A Noite, rainha da Escuridão, formou sua própria corte, uma corte dispersa, sombria e caótica. Sentou-se num trono sobre seu monte de entulho a tecer e tecer, as teias disformes de seus caminhos nãos caminhos, o Limbo. E ali, quis construir seu reino, num lugar que não era nada.
O Cosmo, o único senhor do Universo, criou os mundos, deu-lhes formas e funções bem definidas dentro da Ordem de seus planos. Iniciou e finalizou sua criação. Os restos, a matéria-prima não usada, deixou largada na não existência entre seus mundos criados. E entre o mundos, ficaram os entulhos, os restos não usados pelo Cosmo em sua criação.
Neste entulho, estes restos não usado que ficaram entre os mundos, a Noite sentou-se em um trono onde tecia sem parar os caminhos não caminhos, como pontes entre mundos proíbidos. E foi entre os mundos que a Noite ergueu seu reino, no meio de um monte de matéria-prima não usada.
Ente os mundos, lá onde a Existência não vai, onde o Cosmo não ousa pisar, fica a matéria-prima não usada por qualquer artesão. Lá entre os mundos, onde a Vida só chega através de seus olhos que espiam, onde as crias da Noite brincam, ficam os restos não usados na Criação, esperando por um artista que as venham usar. Lá entre os mundos, começam e terminam os caminhos do Limbo. É ele, o Entre-Mundos, que todos os que ouvem o chamado da Noite devem procurar..."
Inscrições gravadas no chamado "Templo dos Mistérios não Secretos", em Arsória.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
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